Como a cafeína e a tontura estão relacionadas? - Dr. Rodrigo

Como a cafeína e a tontura estão relacionadas?

Tomar um café pela manhã ou consumir bebidas com cafeína pode parecer algo simples, parte da rotina de muitos brasileiros. No entanto, em algumas pessoas, esse hábito pode estar relacionado a episódios de tontura, desequilíbrio ou sensação de instabilidade. Se você já percebeu que a tontura parece coincidir com o consumo de café, bebidas estimulantes ou energéticas, vale entender como essa substância pode influenciar o sistema de equilíbrio.

O que a cafeína faz no corpo

A cafeína é o estimulante mais usado no mundo e atua diretamente no sistema nervoso central, leva ao aumento da liberação de noradrenalina e adrenalina. Como consequência, ocorre aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação de vasos sanguíneos em algumas regiões e constrição em outras, aumento da pressão arterial e ativação de reflexos que normalmente não estariam em foco.

Essas alterações são toleradas pela maioria das pessoas, no entanto quando o sistema de equilíbrio já está fragilizado, os efeitos da cafeína podem “desajustar” o equilíbrio corporal. Estudos associam doses elevadas de cafeína a maior incidência de tontura ou agravamento de vertigem. Uma revisão da literatura também aponta que, embora a evidência ainda seja limitada, há uma indicação de que a cafeína interfere no sistema vestibular.

Em que situações a cafeína pode desencadear a tontura?

Em pessoas com distúrbios vestibulares — como Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), Doença de Menière ou com histórico de labirintite — o uso de cafeína pode intensificar os sintomas, potencializando a sensação de giro, instabilidade ou desequilíbrio. Além disso, a cafeína pode alterar a regulação da pressão arterial em mudanças de posição, favorecendo a hipotensão ortostática. Um estudo demonstrou que o consumo agudo de cafeína prejudicou a resposta cardiovascular ao teste de inclinação, onde a pressão arterial não se manteve com normalidade após mudança de postura.

Por outro lado, em pessoas saudáveis, alguns estudos surpreenderam ao indicar que doses moderadas de cafeína podem melhorar o controle postural em situações específicas. Isso demonstra que a resposta pode variar muito de pessoa para pessoa, e o fator chave é como está o sistema vestibular e circulatório de cada um.

Como identificar se a cafeína está influenciando sua tontura

Se você sente tontura após tomar café ou outras bebidas estimulantes, considere observar alguns aspectos: a quantidade de cafeína ingerida, o momento (especialmente se for próximo a mudanças de posição, como levantar da cama), se há tontura ao virar a cabeça ou ao levantar rápido, ou se há outros sintomas associados — como palpitações, sensação de “cabeça leve”, sudorese ou tremores.

É importante salientar que a tontura pode ter várias causas e, portanto, antes de apontar a cafeína como culpada, é necessário fazer uma avaliação médica especializada. O otorrinolaringologista com foco em otoneurologia pode investigar se há disfunção vestibular, alterações auditivas ou circulatórias contribuindo para os sintomas.

O que fazer para ajustar o consumo de cafeína

Se houver suspeita de que a cafeína esteja relacionada aos episódios de tontura, algumas medidas práticas podem ajudar:

•             Reduzir o consumo gradualmente, evitando “cortes bruscos” que podem gerar sintomas de abstinência.

•             Evitar bebidas energéticas ou com quantidade muito elevada de cafeína, especialmente em períodos de instabilidade vestibular.

•             Manter boa hidratação, pois a cafeína pode ter efeito leve diurético e a desidratação agrava a tontura.

•             Monitorar o consumo antes de atividades ou mudanças de posição significativa (como levantar da cama, virar na cama etc.).

•             Associar o ajuste da cafeína com outras medidas: sono adequado, controle de estresse, alimentação equilibrada e evitar consumo de álcool ou tabaco que possam afetar o sistema vestibular.

Conclusão

A relação entre cafeína e tontura não é direta ou igual para todas as pessoas. Em indivíduos com equilíbrio vestibular mais sensível, o consumo dessa substância pode funcionar como gatilho ou intensificador de sintomas. Já em pessoas com equilíbrio intacto, o efeito pode ser neutro ou até favorecedor. O mais importante é observar como o seu corpo reage, registrar o contexto dos episódios de tontura e buscar avaliação especializada quando os sintomas forem frequentes ou incapacitantes.

Se você perceber que a tontura coincide com o consumo de café ou outras bebidas estimulantes, converse com seu médico otoneurologista. Ajustes no consumo de cafeína, aliados ao tratamento adequado e ao estilo de vida saudável, podem fazer grande diferença na redução dos sintomas e na recuperação da sua qualidade de vida.