
A hipofunção vestibular é uma redução da função vestibular que pode prejudicar o equilíbrio e a estabilidade da visão durante os movimentos da cabeça. Pode afetar um lado, sendo chamada unilateral, ou os dois lados, sendo bilateral.
Neste artigo, abordamos a hipofunção vestibular periférica, relacionada ao comprometimento do órgão sensorial vestibular do labirinto e/ou do nervo vestibular.
Como o sistema vestibular participa do equilíbrio?
O sistema vestibular inclui o órgão sensorial do labirinto, localizado na orelha interna, além de vias nervosas e estruturas centrais.
Ele trabalha em conjunto com a visão e com as informações sobre a posição e o apoio do corpo. Também participa do reflexo vestíbulo-ocular, que movimenta os olhos para ajudar a manter a imagem estável enquanto a cabeça se move.
Quando a função vestibular está reduzida, essas tarefas podem ficar prejudicadas.
Quais sintomas podem aparecer?
Os sintomas variam conforme o lado comprometido, o grau da perda, a rapidez de instalação e a adaptação do organismo.
Na perda unilateral de início súbito, podem ocorrer vertigem intensa, náuseas e instabilidade. Depois da fase inicial, algumas pessoas permanecem com desconforto ao movimentar a cabeça ou dificuldade de equilíbrio.
Na forma bilateral, destacam-se:
• Instabilidade ao caminhar ou ficar em pé.
• Piora do equilíbrio no escuro ou em pisos irregulares.
• Visão borrada ou impressão de que a imagem “pula” ao caminhar ou movimentar a cabeça.
Essa sensação de movimento aparente da imagem é chamada oscilopsia. Ela pode ocorrer quando o reflexo vestíbulo-ocular não consegue estabilizar adequadamente a visão, mas não está presente em todas as pessoas.
Ter hipofunção vestibular também não significa sentir o ambiente girar o tempo todo. Na forma bilateral, o desequilíbrio e a dificuldade visual durante o movimento podem ser mais marcantes do que a vertigem.
Por que o equilíbrio pode piorar no escuro?
Quando a contribuição vestibular está reduzida, outras informações sensoriais ganham importância para manter a estabilidade.
No escuro, a visão ajuda menos. Em pisos irregulares, as informações de apoio do corpo também podem ser menos confiáveis. Essas situações podem tornar a instabilidade mais evidente, especialmente na hipofunção bilateral.
O que pode causar hipofunção vestibular?
Entre as possíveis causas estão neurite vestibular, determinadas doenças da orelha interna, medicamentos com potencial de lesar a função vestibular, traumatismos e algumas cirurgias.
A alteração pode surgir rapidamente ou evoluir de forma gradual. Em alguns casos, a causa permanece desconhecida mesmo após investigação.
Se houver suspeita de relação com um medicamento, informe ao médico. Não interrompa o tratamento por conta própria.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa pela história clínica e pelo exame físico. Tontura e desequilíbrio, isoladamente, não confirmam hipofunção vestibular.
Conforme a suspeita, podem ser utilizados:
• vHIT: registra a resposta dos olhos a movimentos rápidos da cabeça para avaliar o reflexo vestíbulo-ocular.
• Provas calóricas: avaliam respostas vestibulares por estimulação térmica de cada orelha.
• Acuidade visual dinâmica: ajuda a avaliar quanto a nitidez da visão se altera durante movimentos da cabeça.
Esses exames têm objetivos diferentes e seus resultados precisam ser interpretados em conjunto. Outros testes podem ser necessários; não existe uma lista obrigatória para todos os pacientes.
Existe tratamento?
Sim. A abordagem considera a causa, os sintomas e as limitações de cada pessoa.
A reabilitação vestibular tem papel importante no tratamento da hipofunção vestibular periférica com sintomas ou prejuízo funcional. Pode incluir exercícios para estabilizar o olhar, melhorar o equilíbrio e a marcha e desenvolver estratégias de adaptação.
Há recomendação forte para sua oferta em adultos com hipofunção periférica unilateral ou bilateral, conforme avaliação clínica. Os exercícios devem ser individualizados e supervisionados por profissional habilitado.
A melhora funcional pode ocorrer mesmo sem recuperação completa da função vestibular perdida. A evolução e os objetivos do tratamento variam entre as pessoas.
Quando procurar avaliação?
Procure avaliação médica especializada se houver desequilíbrio persistente, quedas, dificuldade para caminhar ou visão instável durante os movimentos.
Se a tontura começar subitamente e for intensa, especialmente com dificuldade importante para ficar em pé ou andar, procure atendimento imediato. Alteração da fala, visão dupla ou fraqueza também são sinais de alerta. Não presuma que um quadro novo seja apenas uma alteração do labirinto.



