Diagnóstico de Vertigem Paroxística Benigna da Infância: Um Guia Compreensivo - Dr. Rodrigo

Diagnóstico de Vertigem Paroxística Benigna da Infância: Um Guia Compreensivo

A Vertigem Paroxística Benigna da Infância (VPBI) é uma condição relativamente rara, mas importante, que afeta crianças em idade pré-escolar e escolar. Recentemente, foi proposto um novo termo para designá-la: Vertigem Recorrente da Infância (VRI). Caracterizada por episódios recorrentes de vertigem que ocorrem sem aviso e geralmente duram de alguns minutos a horas, a VPBI pode ser uma experiência assustadora tanto para a criança quanto para seus pais. Este artigo detalha o diagnóstico de VPBI, utilizando informações e dados da Barany Society, uma entidade que congrega as principais sociedades médicas em doenças vestibulares.

O que é Vertigem Paroxística Benigna da Infância?
A VPBI é definida por episódios súbitos e breves de vertigem em crianças que, fora desses episódios, têm um desenvolvimento neurológico normal. Esses episódios podem ser acompanhados por nistagmo (movimentos involuntários dos olhos), ataxia (dificuldade de coordenação), náusea e vômito. A VPBI geralmente aparece em crianças entre os 2 e 12 anos, com um pico de incidência em torno dos 4 a 6 anos de idade.

Dados Estatísticos
De acordo com a Barany Society, a prevalência de VPBI é estimada em aproximadamente 2,6 a 3% das crianças com vertigem. Embora seja uma condição benigna, é crucial realizar um diagnóstico preciso para excluir outras causas mais graves de vertigem infantil, como tumores cerebrais ou epilepsia.

Critérios Diagnósticos
O diagnóstico de VPBI é clínico e baseia-se na história detalhada e na observação dos episódios. A avaliação diagnóstica segundo a Barany Society para VPBI incluem:
• Episódios Repetidos de Vertigem: A criança apresenta episódios múltiplos de vertigem severa.
• Duração: Cada episódio dura de alguns minutos a várias horas.
• Sintomas Intercrises: A criança é assintomática entre os episódios e apresenta desenvolvimento neurológico normal.
• Ausência de Perda Auditiva: Diferenciando de outras causas de vertigem como a Doença de Menière, a VPBI não está associada a sintomas auditivos.
• Desencadeantes Ausentes: Não há fatores desencadeantes específicos identificáveis para os episódios.

Exames e Avaliações
Embora o diagnóstico seja principalmente clínico, exames adicionais podem ser necessários para excluir outras condições. A avaliação pode incluir:
• História Clínica Detalhada: Inclui a descrição dos episódios, duração, frequência, sintomas associados e história familiar de enxaqueca (uma vez que a VPBI é considerada um precursor da enxaqueca).
• Exame Físico Otoneurológico Completo: Para assegurar que não haja sinais de anomalias e síndromes.
• Exames de Imagem: Em alguns casos, a ressonância magnética (RM) pode ser realizada para excluir anormalidades estruturais encefálicas.
• Exames Auditivo-Vestibulares: Podem ser feitos para avaliar a função auditiva e vestibular, embora frequentemente não apresentem alterações específicas em casos de VPBI.

Prognóstico e Tratamento
O prognóstico da VPBI é geralmente excelente. A maioria das crianças superam a condição espontaneamente após alguns anos. A VPBI é frequentemente considerada um precursor de enxaquecas, e até 50% das crianças com VPBI podem desenvolver enxaquecas mais tarde na vida.

O tratamento é, na maioria das vezes, de suporte e educativo, visando tranquilizar a criança e os pais sobre a natureza benigna da condição. Medidas específicas durante um episódio incluem:

• Reassegurar a Criança: Manter a calma e proporcionar um ambiente seguro durante os episódios.
• Evitar Estímulos Desnecessários: Como luzes brilhantes e movimentos bruscos, que podem agravar a sensação de vertigem.
• Tratamento Medicamentoso: alguns medicamentos podem ser utilizados como profiláticos ou inclusive na urgência das crises.

Conclusão
A Vertigem Paroxística Benigna da Infância é uma condição temporária, mas angustiante, que afeta crianças em uma fase crucial do desenvolvimento. Um diagnóstico correto e a exclusão de outras causas mais sérias são essenciais para o manejo adequado. Embora a VPBI tenha um curso benigno, a conexão com enxaquecas futuras destaca a necessidade de um acompanhamento com o médico otoneurologista.