
A tontura é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos, e suas causas podem variar muito: de distúrbios no labirinto até alterações cardiovasculares. Um tipo bastante frequente é a tontura relacionada à queda de pressão arterial, especialmente quando ocorre de forma súbita ao levantar da cama ou após permanecer muito tempo em pé. Esse fenômeno é conhecido como hipotensão ortostática (ou postural).
O que acontece no corpo
O sistema circulatório precisa ajustar rapidamente o fluxo sanguíneo quando o corpo muda de posição. Ao se levantar, a gravidade faz com que o sangue se acumule nas pernas, reduzindo temporariamente o volume que chega ao coração e, consequentemente, ao cérebro. Para compensar, o organismo aumenta a frequência cardíaca e contrai os vasos sanguíneos. Quando essa compensação falha, o resultado é a queda momentânea da pressão arterial, a sensação de tontura, visão turva ou até desmaio.
Essa resposta pode ser transitória e inofensiva, mas quando se torna frequente, merece investigação médica.
Causas mais comuns
A hipotensão ortostática pode ter diversas origens, incluindo:
• Desidratação: a falta de líquidos reduz o volume sanguíneo e dificulta a manutenção da pressão arterial;
• Uso de medicamentos: diuréticos, antidepressivos e remédios para hipertensão podem favorecer quedas de pressão;
• Problemas cardíacos: algumas arritmias ou insuficiências cardíacas interferem na capacidade de bombear o sangue adequadamente;
• Idade avançada: o envelhecimento reduz a resposta dos vasos e dos reflexos que controlam a pressão;
• Dislipidemia: placas de gordura podem se depositar nos bulbos carotídeos e atrapalhar os sensores de pressão arterial (barorreceptores carotídeos);
• Jejum prolongado ou alimentação insuficiente também podem contribuir.
Quando se preocupar
A tontura ocasional ao levantar não costuma ser grave. No entanto, se o sintoma for recorrente, vier acompanhado de desmaios, palpitações, confusão mental ou fraqueza intensa, é importante procurar um médico. Em alguns casos, o sintoma pode estar relacionado a doenças cardíacas ou neurológicas que exigem avaliação detalhada.
O diagnóstico é feito com base em histórico clínico, exame físico e, quando necessário, testes de pressão arterial em diferentes posições. O objetivo é identificar se a queda ocorre de forma significativa e persistente.
Cuidados e prevenção
Alguns hábitos simples podem ajudar a reduzir os episódios de tontura por queda de pressão:
• Levante-se devagar, principalmente ao sair da cama ou de uma posição sentada.
• Mantenha-se bem hidratado, especialmente em dias quentes.
• Evite longos períodos em pé parado.
• Faça refeições leves e frequentes.
• Use meias de compressão, se recomendado pelo médico, para ajudar o retorno venoso.
• Se estiver usando medicamentos, converse com o profissional de saúde para avaliar possíveis ajustes.
O papel do especialista
Nem toda tontura é igual, e entender a causa exata é essencial para o tratamento correto. Em alguns casos, a queda de pressão pode coexistir com distúrbios vestibulares, confundindo o diagnóstico. O Médico Otoneurologista é o profissional mais indicado para diferenciar as origens da tontura e indicar as medidas adequadas.
Com a avaliação certa e alguns ajustes na rotina, é possível recuperar o equilíbrio e evitar desconfortos recorrentes.



