Tontura na terceira idade: um sinal de alerta que não pode ser ignorado - Dr. Rodrigo

Tontura na terceira idade: um sinal de alerta que não pode ser ignorado

Sentir tontura não é incomum em qualquer idade — mas quando isso ocorre na terceira idade, pode representar algo mais sério. Nesse texto, abordamos as causas, estatísticas alarmantes e o papel fundamental do otoneurologista nessa fase da vida.

Quão comum é a tontura entre idosos?
Estudos mostram que entre 20% e 30% das pessoas com mais de 60 anos relatam tontura ou desequilíbrio. Esse número pode chegar a 50% entre aqueles acima de 85 anos. Ou seja, metade dos idosos enfrentam algum desconforto relacionado ao equilíbrio — um verdadeiro desafio para a saúde pública.
Na Suécia, pessoas entre 79 anos apresentaram 54% de relatos de tontura, que impactam negativamente a saúde e a qualidade de vida. Outro estudo no Brasil apontou que 45% dos idosos comunitários sentem tontura, com fatores como fadiga, insônia, queda recorrente e sintomas depressivos intensificando o quadro.

Por que a tontura aumenta com a idade?
Entre os motivos principais estão:

  1. Presbiastasia (envelhecimento do sistema vestibular)
    Dados mostram que, com o passar dos anos, há perda das células sensoriais do ouvido interno, das conexões nervosas e redução do funcionamento cerebelar — tornando o equilíbrio mais frágil.
  2. Declínio multissensorial
    Além do sistema vestibular, a visão, a propriocepção (sensibilidade corporal) e a força muscular também enfraquecem com a idade, comprometendo o equilíbrio.
  3. Condições associadas
    Tontura em idosos muitas vezes vem acompanhada de diversas condições, como distúrbios cardiovasculares, neuropatia, artrite, depressão, polimedicação e comorbidades crônicas.

Quais são os riscos?
A tontura em idosos não é apenas desconfortável — ela pode ser perigosa.
• Risco de quedas: idosos com tontura têm chance maior de sofrer quedas, com risco aumentado de fraturas, internações e até óbito. Quedas representam a principal causa de mortes acidentais após os 65 anos.
• Perda de independência: a sensação de desequilíbrio tende a reduzir a atividade física, favorecer isolamento social e prejudicar a qualidade de vida.

Qual é o papel do otoneurologista?
O otoneurologista é o especialista indicado para avaliar distúrbios relacionados ao equilíbrio. Veja onde ele pode ajudar:

  1. Avaliação detalhada
    Investiga múltiplos sistemas (vestibular, visual, proprioceptivo e neurológico) para identificar causas — que muitas vezes são múltiplas.
  2. Diagnóstico preciso e personalizado
    Diferencia causas benignas, como VPPB, de problemas mais sérios, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou tumores. Uma avaliação completa evita que a tontura seja vista apenas como parte natural do envelhecimento.
  3. Reabilitação vestibular
    Exercícios orientados podem melhorar o equilíbrio, reduzir sintomas e prevenir quedas.
  4. Ajustes em medicamentos e abordagem multidisciplinar
    Otoneurologistas conhecem os efeitos adversos de remédios no equilíbrio e trabalham com outros profissionais para tratar problemas associados (pressão, diabetes, depressão).

O que você pode fazer hoje?
• Mantenha consultas regulares com um especialista ao notar tonturas ou instabilidade frequente.
• Assim que sentir tontura, consulte o médico otoneurologista — especialmente se houver quedas, fraqueza, visão turva ou desmaios.
• Adote hábitos saudáveis: atividade física regular, ambientes sem obstáculos, iluminação adequada e revisão de medicamentos.

Em resumo
A tontura na terceira idade é comum, mas nunca deve ser ignorada. Ela pode indicar desde alterações benignas até problemas que colocam a segurança do idoso em risco. O médico otoneurologista desempenha papel central ao diagnosticar, tratar e prevenir complicações graves como quedas e perda de autonomia.
Se você tem mais de 60 anos e tem tonturas frequentes, agende uma avaliação especializada. Investir no seu equilíbrio é garantir uma vida mais segura, ativa e feliz!